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Renascer [entries|archive|friends|userinfo]
Mouadib

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Fim [Jun. 19th, 2004|12:48 am]
[mood | sad]
[music |Paris Texas, Ry Cooder]

Este será o ultimo post deste jornal. Resta-me agradecer a todos que o leram e nele escreveram. Sinto que teria feito boas amizades aqui.
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Romance impossivel [Jun. 16th, 2004|08:49 pm]
[mood | grateful]
[music |Drão, Caetano Veloso]

"Pros erros há perdão; pros fracassos, chance;
pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta
cercar um coração vazio ou economizar alma.Um
romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é
romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a
rotina acomode, que o medo impeça de tentar..."

Luis Fernando Verissimo

Obrigado amiga!
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Solidão [Jun. 16th, 2004|11:49 am]
[mood | lonely]
[music |Remar, remar, Xutos]

Só, como a fonte no areal sem vida.
Só, como o sol no céu deserto.
Só, de cabeça erguida,
Humanamente certo.

Só, a nascer, a ser e a morrer,
Recto como um pinheiro que brotou
E cresceu e caiu, sem se torcer
Ao tempo vário que por ele passou.

Miguel Torga
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Em defesa dum tema [Jun. 15th, 2004|01:43 am]
[mood | contemplative]
[music |I'm Open, No Code, Pearl Jam]

Venho em defesa dum tema de Pearl Jam que gosto muito. A letra é o melhor argumento...

a man lies in his bed in a room with no door
he waits hoping for a presence, something, anything to enter
after spending half his life searching, he still felt as blank
as the ceiling at which he's staring
he's alive, but feels absolutely nothing
so, is he?
when he was six he believed that the moon overhead followed him
by nine he had deciphered the illusion, trading magic for fact
no tradebacks...
so this is what it's like to be an adult
if he only knew now what he knew then...
i'm open
i'm open
come in
come in
come in
come in
i'm open
i'm open
come in
come in
come in
come in
lying sideways atop crumpled sheets and no covers
he decides to dream...
dream up a new self for himself

Quantas vezes já me senti assim? Será que ainda, ou novamente, me sinto?
Solidão em estado puro!
Quem mais sabe o q isto é?
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Torga, para variar [Jun. 14th, 2004|12:18 am]
[mood | contemplative]
[music |Águas de Março, Tom Jobim]

Brinquedo

Foi um sonho que eu tive:
Era uma grande estrela de papel,
Um cordel
E um menino de bibe.

O menino tinha lançado a estrela
Com ar de quem semeia uma ilusão;
E a estrela ia subindo, azul e amarela,
Presa pelo cordel à sua mão.

Mas tão alto subiu
Que deixou de ser estrela de papel.
E o menino, ao vê-la assim, sorriu
E cortou-lhe o cordel.

Miguel Torga

Por vezes as pessoas da nossa vida mudam e temos de saber sorrir e cortar o cordel...
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O Meu Alentejo [Jun. 13th, 2004|11:18 pm]
[mood | contemplative]
[music |Qq cantar Alentejano]

Meio-dia: O sol a prumo cai ardente,
Doirando tudo. Ondeiam nos trigais
D'oiro fulvo, de leve...docemente...
As papoilas sangrentas, sensuais...

Andam asas no ar; e raparigas,
Flores desabrochadas em canteiros,
Mostram por entre o oiro das espigas
Os perfis delicados e trigueiros...

Tudo é tranquilo, e casto, e sonhador...
Olhando esta paisagem que é uma tela
De Deus, eu penso então: Onde há pintor,

Onde há artista de saber profundo,
Que possa imaginar coisa mais bela
Mais delicada e linda neste mundo?!

Florbela Espanca

O Alentejo, sempre o Alentejo...
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Amar sempre! [Jun. 13th, 2004|10:06 pm]
[mood | contemplative]
[music |Fascinação, Elis Regina]

Quando um peito amargurado
Adora seja quem for,
Por muito infame que seja
Bendito seja esse amor

Florbela Espanca
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Best Of Pearl Jam [Jun. 13th, 2004|12:08 am]
[mood | calm]
[music |Last Kiss ....]

Pediram-me um Best Of Pearl Jam. Parecia-me fácil, mas escolher 70 minutos de musicas é quase impossivel. Assim decidi partilhar o meu drama. Vou dar a minha sugestão de 22 musicas (duplo cd). Espero pelas vossas sugestões.

1. Even Flow
2. Alive
3. Black
4. Jeremy
5. Daughter
6. Dissident
7. Indiference
8. Nothingman
9. Better man
10. Immortality
11. I'm Open
12. Given to Fly
13. Faithfull
14. No way
15. Nothing as it Seems
16. Of the Girl
17. Light Years
18. Sleight of Hand
19. Cant Keep
20. Thumbing my Way
21. You are
22. Crazy Mary
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A viagem [Jun. 12th, 2004|09:08 pm]
[mood | melancholy]
[music |Ainda, Madredeus]

Podemos viajar de muitas formas e por muitos caminhos. Ainda estou em casa, mas já comecei a trilhar o meu périplo interior, pelas paisagens dos meus sentimentos e pelas estradas das emoções.
É curiosa a sensação de iniciar o caminho e deparar-me com um cruzamento familiar. Tão familiar que passo por ele sem pensar, como se houvesse uma mão invisível que me guia e condiciona as escolhas. No entanto, antigamente, quando por aqui passava não ia sempre pelo mesmo lado. Agora redescobri que podia escolher.
A escolha levou-me pela agradável sensação de ver com novos olhos uma paisagem familiar, como se fosse a primeira vez. Foi o renovar duma experiência boa, só possível quando nos privamos de algo que gostamos por muito tempo, tanto que até esquecemos a saudade. Tanto é assim que a emoção foi quase igual à da primeira vez que o percorri.
Segui com o medo natural do desconhecido, ainda que não o fosse totalmente, mas era assim que sentia. Fui avançando pela redescoberta, ansiando por mais a cada passo. A sede era tanta, o vazio a preencher tão grande que já nem dava conta.
Ao começar a recuperar na minha memória aquela paisagem, foi um choque tremendo, uma embriaguez repentina, quase eufórica. Quis compensar pelos momentos todos perdidos e abraçar tudo de novo ao mesmo tempo. Nunca tive paciência para saber apreciar os momentos bons da vida. Finalmente começo a saciar a minha sede, mas ainda com o receio de me embriagar neste poderoso néctar, tão doce mas tão arriscado ao mesmo tempo. Não estou habituado a beber muito.
Eis que chego ao cerne da questão. O néctar a que me refiro são os meus próprios sentimentos e a estrada habitual a da minha racionalidade. Finalmente fui capaz de seguir por esta alternativa, ao fim de tanto tempo, provavelmente desde a adolescência.
Agora preocupo-me em controlar a embriaguez, mas não será essa a essência desta opção. Não controlar! Não quero cair nas inconsequências adolescentes novamente, mas preciso ensinar-me a deixar os sentimentos ocuparem novamente o seu lugar, após a expulsão pela racionalidade.
Tenho uma necessidade de sentir imensa. Parece que me preenche completamente, este vazio, esta falta.
Como pude viver assim?
Voltei a ler poesia, rever filmes, mas acima de tudo a aceitar as pessoas na minha vida.
Que bom é matar uma saudade que até já estava esquecida.
A viagem continua!
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A Andorinha da Primavera [Jun. 12th, 2004|08:15 pm]
[mood | melancholy]
[music |A Andorinha da Primavera, Madredeus]

Andorinha de asa negra aonde vais?
Que andas a voar tão alta
Leva-me ao céu contigo, vá
Qu'eu lá de cima digo adeus ao meu amor

Ó Andorinha
da Primavera
Ai quem me dera também voar
Que bom que era
Ó Andorinha
na Primavera
também voar

Pedro Ayres Magalhães
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Insónia Alentejana [Jun. 12th, 2004|05:58 pm]
[mood | contemplative]
[music |Given to Fly, Pearl Jam]

Pátria pequena, deixa-me dormir,
Um momento que seja,
No teu leito maior, térrea planura
Onde cabe o meu corpo e o meu tormento.
Nesta larga brancura
De restolhos, de cal e solidão,
E ao lado do sereno sofrimento
Dum sobreiro a sangrar,
Pode, talvez, um pobre coração
Bater e ao mesmo tempo descansar...

Miguel Torga

Vou-me embora, destino, Alentejo. Alguem quer vir?
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Não Ser [Jun. 12th, 2004|03:55 pm]
[mood | contemplative]
[music |Everybody Hurts, REM]

Quem me dera voltar à inocência
Das coisas brutas, sãs, inanimadas,
Despir o vão orgulho, a incoerencia:
-Mantos rotos de estátuas mutiladas!

Ah! arrancar às carnes laceradas
Seu mísero segredo de consciência!
Ah! poder ser apenas florescência
De astros em puras noites deslumbradas!

Ser nostálgico choupo ao entardecer,
De ramos graves, plácidos, absortos
Na mágica tarefa de viver!

Ser haste, seiva, ramaria inquieta,
Erguer ao sol o coração dos mortos
Na urna de oiro duma flor aberta!...

Florbela Espanca, Poesia Completa
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Mais fundo [Jun. 11th, 2004|06:29 pm]
[mood | ecstatic]
[music |Sleight of Hand, Pearl Jam, Binaural]

Por vezes uma musica chega mais fundo que mil palavras, imagens ou qualquer outra coisa. Estou revisitando Pearl Jam e detive-me numa música já esquecida. Foi como pela primeira vez. Disse-me tudo o que eu não conseguia dizer. Emocionante!
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Vou-me embora [Jun. 10th, 2004|01:52 pm]
[mood | anxious]
[music |Army of me, Bjork]

Vou-me embora, vou desaparecer.
Peço-vos a todos, que ninguém diga não vás, que ninguém diga tem cuidado, que ninguém diga pensa melhor. Estou farto de não ir, ter cuidado e pensar melhor, pensar tanto que fiz do pensamento a minha jaula, uma jaula de desculpas para não ir por ter tanto cuidado.
Tenho de ter menos cuidado para voltar a ter coragem, pensar menos para voltar a sentir e ir a todo o lado para me descobrir, talvez nos outros, ou através dos outros.
Guardem a vossa preocupação calados, não a partilhem, pois seria dum egoísmo atroz impedir-me de ir só para aplacar as vossas inquietações. Mereço esse nó na garganta e a vossa apreensão silenciosa, deixem-me voar o meu voo, por muito arriscado que seja, pois nunca estive tão certo de nada na minha vida.
Medo tenho eu por nós todos, não preciso do vosso. Guardem-no bem guardado, para quando estiver mais corajoso e poder sossegar-vos, sem me inquietar.
Façam isto por mim, mesmo que não mereça, mas pelo menos na esperança que possa vir a merecer. Todos temos direito a uma segunda oportunidade.
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A diferença [Jun. 10th, 2004|05:31 am]
[mood | hopeful]
[music |Dissident, Pearl Jam]

Posso estar no fundo dum buraco, mas tenho os olhos postos no céu e isso faz a diferença toda.
Posso estar a comprar uma guerra tremenda com a minha família, perder pessoas queridas sofrer por me sentir perdido ou pela incompreensão dos outros, mas estou, pela primeira vez, a construir e isso faz a diferença toda.
Peço desculpa aos que ficarem magoados, aos que não entenderem e vão ser bastantes, a todos que se sintam atingidos pela minha mudança. Sinto muito tê-los magoado, mas finalmente estou a descobrir o meu caminho, e isso faz a diferença toda.
Peço desculpa só ter descoberto isto dentro de mim agora, aos 32 anos, podia ter poupado tantos problemas, mas tenho o direito de ser lento e o que interessa é que descobri, e que agora quero mudar tudo o que está mal, tudo o que não é meu em mim, e isso faz a diferença toda.
Finalmente luto pela minha felicidade e isso faz a diferença toda!
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Deixem-me mudar porra! [Jun. 8th, 2004|11:31 pm]
[mood | hopeful]
[music |Protection, Massive Attack]

Já notaram como sempre que queremos fazer uma mudança profunda na nossa vida, as outras pessoas não deixam. Tentam evitar que mudemos.
Isto é altamente injusto.
Mudar é das coisas mais difíceis que podemos fazer. Seria normal que todos aqueles que gostam de nós nos ajudassem em tão difícil tarefa. No entanto é só dificuldades.
As pessoas habituam-se a nós como somos e têm dificuldade em adaptarem-se à nossa nova realidade. Por isso nestes processos há sempre vítimas, pessoas que saem da nossa vida. Paciência, abrem espaço para entrar outras novas.
Julgo que seja uma questão de hábito e conservadorismo, ou então, interesse na pessoa que éramos e desaparece com a nova situação. Seja como for, é muito injusto não poder contar com aqueles que são mais importantes para nós num momento tão importante.
Os únicos que sobram são por vezes, nem sempre, os amigos incondicionais, aquela espécie rara que nos apoia mesmo na maior cagada, embora nos dê a sua opinião sincera. Mesmo assim, quando dá a opinião, fá-lo preocupando-se com o impacto dela em nós. Felizes aqueles que têm amigos assim. Feliz de mim!
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Up, up, and away! [Jun. 8th, 2004|07:04 pm]
[mood | lethargic]
[music |Amanhã é tarde demais, Rádio Macau]

A melhor coisa sobre o facto de se estar no fundo, é saber que o unico caminho é para cima.
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O tudo e o nada [Jun. 6th, 2004|07:05 pm]
[mood | crushed]
[music |Black, Pearl Jam]

Quando amamos alguém queremos dar-lhe tudo. No entanto há uma coisa que nunca conseguimos dar. O nada. A ausência, o silêncio, o não sentir.
Infelizmente quando não nos amam é a única coisa que nos pedem, a única que querem de nós.
Assim vemo-nos a amar alguém, a querer dar-lhe tudo e a trata-la mal por querer fazer-lhe bem. É obvio que o resultado disto só pode ser mau.
Preciso ser maior que isto, usar o meu amor para se superar a ele próprio e fazer a única coisa que me pedem. Nada!
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Poder da imaginação [Jun. 6th, 2004|05:58 pm]
[mood | curious]
[music |I'm Open, No Code, Pearl Jam]

Poderei eu imaginar-me uma vida nova?
Serei eu capaz de distinguir entre a mentira e a verdade da minha personalidade? Se me engano vou ficar com pedaços duma mentira agarrados a mim e vou abandonar pedaços reais de mim? Já não sei o que sou eu nem o que não sou.
Isto quererá dizer que posso imaginar tudo de novo? Desenhar-me novinho em folha? Será que a minha verdade se revelará nesse processo criativo, introduzindo-se sem pensar nisso, revelando-se naturalmente?
Apetece-me fazer isso mesmo. Ignorar tudo e desenhar-me numa folha em branco.
Seria lindo.
Vou ser:
Amantíssimo das mulheres da minha vida, sim no plural, porque um homem assim merece muitas.
Divertido, para animar a vida de todas as pessoas perto de mim.
Inteligente para poder compreender o que vai na alma de quem gosto e poder realmente ajudar os outros e a mim próprio também.
Sereno para ser o porto seguro de quem gosto.
Elegante para ser agradável estar perto de mim.
Culto para ter uma conversa inteligente e cativante.
Poeta para isto sair como quero, o que nunca acontece.
Corajoso para saber perdoar e tirar ensinamentos da vida sem ficar amargurado.
Activo para que a vida não me passe ao lado sem a ter vivido.
Enfim, é um grande desenho, para tão pequeno artista. Talvez seja melhor não desenhar tanto…
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Nova adolescência [Jun. 6th, 2004|03:08 pm]
[mood | hopeful]
[music |Shine On You Crazy Diamond, Pink Floyd]

Peço desculpa, mas estou um pedaço melodramático.
Depois da euforia vem a realidade. As grandes revoluções são sempre assim. Agora tenho de transformar as ideias, as mudanças, os novos sonhos em novas realidades e sinto-me perdido.
Como começar a descobrir a minha personalidade novamente. Que experiências de vida necessito para sentir como posso avançar. A mais lógica é sempre viajar. A libertação dum cenário rotineiro permite-nos pensar mais facilmente e o contacto com novas realidades abre os horizontes do pensar. Posso começar a testar outras actividades, profissionais ou lúdicas para conhecer novas pessoas, novas ideais e principalmente novas sensações.
Isto é-me tão familiar! Ainda me lembro tão bem desta sensação!
Regressei à adolescência. Provavelmente nunca dela sai e só agora tomei consciência. Regressei aos dilemas da vocação, do caminho a seguir da falta de confiança e da necessidade de arriscar. Naturalmente serei um adolescente com uma grande experiência de vida, mas a maturidade é discutível.
No entanto este regresso é sempre parcial. Nunca posso voltar a ter a primeira paixão, nem o primeiro elogio, nem a primeira vitória. Será tudo uma segunda tentativa, um regresso, em vez duma descoberta.
A desorientação, porem, é igual. Sinto-me como um doente que esteve em coma durante catorze anos. Desde o momento que decidi não sair de casa para estudar, data da primeira grande derrota da minha personalidade.
Tenho uma necessidade de ultrapassar o meu receio e falta de confiança, terceira montanha a escalar após o orgulho e o perdão. Esta montanha será a mais demorada pois foi ela a primeira a me derrotar quando a defrontei pela primeira vez. Foi ela que criou o orgulho como forma de defesa para poder viver com as escolhas que tinha feito.
Sinto-me livre, mas a liberdade sem coragem não perdura. A liberdade é uma conquista diária ao medo. Tenho de guardar muito bem guardado este sentimento dentro de mim para não perder a coragem de ser livre, para ter a coragem de ser feliz, uma vez que já tive a cobardia de ser miserável.
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